sábado, 13 de novembro de 2010
One Army Man
O soldado Câncer se dirigiu até a cabana do General, no meio do acampamento, ela era claramente o local de repouso de alguém muito importante.
Na entrada, Major Escudo observava enquanto o Coronel Máscara saía, Cel Máscara era o oficial mais importante de todo o exército, abaixo apenas do General Ego, e era com ele que o soldado queria falar.
Ao entrar ele observou todos os protocolos relativos ao encontro com aquela voz poderosa, eram um exército de vozes, mas, ainda assim, um exército.
- Prossiga, soldado, meu tempo é curto.
- Senhor, quero falar sobre a guerra que estamos travando agora, aliás, sobre AS GuerraS.
O General olhou para o Soldado com severidade, uma boa qualidade num soldado era cumprir ordens, mas, o soldado Câncer era conhecido por não ser um bom soldado e só estava ali por que tinha que estar.
- Prossiga, soldado.
- Nós vamos perder, senhor.
A veia na testa do General ganhou vários centímetros num instante e, se ele não fosse o todo poderoso General teria se rebaixado e agredido o soldado ali mesmo, em algum lugar do acampamento a arma conhecida como A Besta esquentou suas engrenagens.
A voz do General veio contida, não se alterou nem um decibel, mas a raiva era presente e não foi disfarçada.
- Nós nunca perdemos, soldado. Eu não sei onde você encontrou essas idéias subversivas, mas elas são típicas de lixo como você. - O General se levantou e apontou o indicador para o soldado, se aquele dedo fosse uma arma, Câncer podia se considerar morto. - Sabe por que eu não limpo o meu exército de lixo como você, soldado?
- Por que não pode, Senhor.
- Não POSSO? EU posso tudo, soldado. - O General saiu de trás de sua mesa e se postou a frente do soldado, a diferença de tamanho era evidente entre os dois e o General fez questão de salientá-la ao olhar para baixo ao falar com o soldado. - Por que toda árvore precisa de um fruto podre, precisa de algo pra se envergonhar, para ser um exemplo negativo. Por que, você, veio aqui tomar o meu tempo me dizendo besteiras?
- Por que eu vi o soldado Inocência morrer na última guerra, Senhor, por que ele morreu em meus braços, sangrando, sofrendo e nos culpando por tudo que o Exército fez. - As lágrimas chegaram aos olhos do soldado, as lágrimas sempre chegavam aos olhos dele. - Por tudo que todos nós fizemos...
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